Uma Xícara de Café,Por Favor

Pra adocicar minha vida,moço.

sábado, 3 de novembro de 2012

A Morte de Gasparzinho

 Casper McFadden estava muito animado com seu novo presente de natal : um belo trenó que seus pai lhe deram de presente.Ele brincou a tarde inteira,sem se preocupar.Estava bem agasalhado e não havia problemas.
 Até o momento ele só havia brincado em seu quintal,apesar de ter ouvido falar em um lugar perto da floresta da sua pequena cidade,lá as crianças brincavam e se divertiam com seus trenós até escurecer.Rampas que eles mesmos haviam criado,colinas de neve,garotinhos e garotinhas se divertindo na neve branquinha e bonita.
 Casper queria muito ir para lá também,mas seus pais não permitiam e ele não sabia muito bem onde o lugar ficava.
 Três garotos se aproximaram de Casper,que estava sentado ao lado de seu trenó.O mais velho dos três se aproximou de Casper e colocou o trenó de lado.
 - Ei Casper,venha conosco!Estamos indo para a floresta,a neve está ótima,e lá é muito melhor do que brincar no quintal.
 - Não posso - Casper levantou os olhos tristonho para o garoto mais velho e os outros dois que o acompanhavam - Meus pais disseram que não posso ir para lá.Dizem que é perigoso demais.
 - Ah qual é! - Um dos garotos menores chutou um pouco de neve enquanto sorria desafiadoramente - Está é com medo que eu sei,você tem medo de tudo.
 - Não é verdade!
 - Vamos gente - O outro garoto pegou seu trenó e olhou para Casper com um sorriso de deboche em seus lábios - ele está com medo,não vai vir conosco. - E os três saíram às gargalhadas deixando Casper sozinho com seu trenó.
 Ele não gostava de ser chamado de covarde,nem um pouco mesmo,ele só era obediente."Isso te faz covarde",pensou ele,e então várias coisas como essa começaram a passar por sua cabeça,coisas do tipo "Você nunca será corajoso" e "Não pode nem sair para a floresta porque tem medo de desobedecer seus pais por uma coisinha idiota",e a cada coisa que passava por sua cabeça ia convencendo-o mais e mais à ir para a floresta.
 A única coisa que ele tinha certeza é que devia atravessar a floresta para chegar ao campo onde as crianças brincavam,mas era perigoso de se atravessar sozinho pois poderia achar alguns animais perigosos ou até se perder.Mas no momento Casper não ligava para nada disso,ele só queria provar que era corajoso,então pegou seu trenó e seguiu o caminho até a floresta.
 A caminhada era demorada e em algum tempo iria começar a escurecer,mas ele não iria voltar agora,ele queria provar seu valor,queria mostrar que não era covarde coisa nenhuma.Vinte minutos depois ele chegou até a floresta.Ela estava linda naquele dia,a neve nos pinheiros dava um efeito muito belo à cidadezinha.Casper olhou para o sol e viu que dentro que uns 15 minutos iria escurecer,mas ele não ligava para isso.
 Qual era a trilha?Ele sabia que havia uma trilha,mas não sabia onde ficava.Ele pegou o primeiro caminho aberto que viu e o seguiu.
 A floresta era escura,apesar de ainda não ter escurecido totalmente,Casper ouvia todo tipo de barulhos estranhos como galhos quebrando e coisas do tipo,mas imaginou que fossem apenas animais.
 E então ele viu,pelo canto do olho,parecia uma pessoa,um adulto,passou ao seu lado e parecia carregar algo grande e um tanto pesado.Casper olhou para trás assustado esperando encontrar a pessoa que estava seguindo-o mas não encontrou nada.Seu coração acelerou e ele ficou cheio de medo,sentiu a voz deixando seu corpo.Mas agora não era momento para se sentir com medo,devia ser corajoso,tinha que provar seu valor.Ele juntou todas as forças que possuía para gritar o mais alto que pôde :
 - Tem alguém ai? - Silêncio.Nem um único som.Ninguém respondeu.Casper olhou ao seu redor e voltou a gritar - Olá!Tem alguém ai?John é você?Bernard?Alguém? - Casper olhou ao seu redor novamente e então respirou fundo e sorriu aliviado."Não há ninguém aqui" ele sussurrou.
 - Não é meio tarde para um garotinho da sua idade andar pela floresta? - O coração de Casper quase parou de susto.Ele virou-se rapidamente e deu de cara com um cara alto,uns 1,75 de altura mais ou menos,um tanto barrigudo e com barba por fazer.Um sorriso assustador no rosto,usando vestes xadrez e carregando uma barra de ferro.Casper deu um passo para trás ainda encarando o homem,mas a cada passo que Casper dava o homem também dava um passo para mais perto dele. - Qual seu nome?
 - C-Casper.
Casper McFadden,senhor.
 - McFadden é? - O homem colocou a barra de ferro de lado e procurou em seu bolso um maço de cigarros,pegou um e acendeu e então voltou-se para Casper. - Conheço seu pai,muito boa gente.Trabalhador.E sua mãe é uma pessoa adorável.
 - Obrigado senhor. - Casper estava apertando seu trenó cada vez mais forte como se aquilo suprisse o medo que sentia,e o homem pareceu perceber.
 - Não precisa ter medo de mim rapaz. - O homem se aproximou mais e ficou frente a frente com Casper e então abaixou-se no nível de seus olhos e o encarou - Por que está aqui sozinho?
 - Eu...Eu vim...Eu ia brincar com meus amigos senhor...Eles...Eles estão me esperando!
 - Não,não estão. - Casper ofegou e arregalou um pouco os olhos ainda encarando o homem. - Eles não sabem que você veio,não é?
 - Eles...
 - Eles não sabem não é? - Ele tentou encarar o homem,mas parecia que quanto mais o observava mais ele poderia decifrar a verdade.Ele sentia medo,muito medo.Nunca havia visto aquele homem na cidade,se bem que ele não saia muito de casa e essa deveria ser a explicação. - Quer uma carona?Sei onde fica sua casa. - O homem seguiu andando pela trilha,a barra de ferro em uma das mãos,mas Casper parecia ter sido paralisado. - O que houve?Prefere ir embora sozinho e no escuro?É muito perigoso,qualquer um pode te pegar por ai e você pode até ser morto sabe... - O homem seguiu andando pela trilha e Casper o acompanhou.Ele não deveria ser perigoso,disse que conhecia seus pais e até sabia onde ele morava.Bem,ele nunca foi até sua casa mas deve ser algum conhecido antigo da família,não havia nada com o que se preocupar não é?.
 O homem saiu da floresta acompanhado pelo garoto.Eles andaram por um tempo,já havia escurecido.Depois de uns 10 minutos avistaram uma caminhonete velha,preta e enferrujada,estacionada a pouca distância.
 Foram até ela e o homem colocou a barra de ferro nela,pegou o trenó de Casper e colocou junto com a barra de ferro,pegou suas chaves e abriu o veículo.
 - Entre. - ele disse.Parecia um tanto nervoso,olhava para os lados a todo o momento.
 Casper entrou no carro e sentou-se,colocou o cinto e olhou pela janela.Sua mãe já deveria estar surtando a essa hora e seu pai já teria ligado para a polícia.Casper riu imaginando a situação.O homem entrou no carro,ligou-o e seguiu dirigindo.Permaneceu um tempo em silêncio.
 - Você tem quantos anos mesmo?
 - Doze.
 - Sei,sei...Você é um rapazinho bem bonito e simpático,seus pais devem ter orgulho de você Casper.
 - Obrigado senhor. - O homem olhou para Casper e sorriu.Casper tentou retribuir o sorriso mas não se sentiu muito a vontade,parecia que o homem estudava cada centímetro de seu corpo e ele não gostava disso.
 Já estavam no carro a um bom tempo porém não haviam chegado ainda,o que Casper estranhou bastante pois a pé demoravam apenas vinte minutos para ir de sua casa até a floresta.Ele começou a sentir o medo invadindo-o novamente.
 - Chegamos. - O homem saiu e foi para a parte de trás da caminhonete.Casper olhou pela janela mas não viu sua casa.Estavam em um barraco antigo de madeira,velho e praticamente caindo aos pedaços,como se uma simples brisa pudesse por ele abaixo.Ele já havia ouvido falar sobre um barraco abandonado no fim da cidade,mas nunca havia o visto com os próprios olhos.O homem abriu a porta de Casper e a segurou encarando o garoto com a barra de ferro na outra mão. - Desça.
 - Senhor,eu não moro aqui,deve ter havido algum engano...
 - Não houve engano algum. - A voz do homem não era mais tão amigável,nem chegava a ser normal,era uma voz ameaçadora,maníaca,e um olhar mais ainda. - Desça.
 - Eu...
 - DESÇA! - O homem agarrou Casper pelas vestes e o arrastou.Ele começou a se debater enquanto era arrastado para dentro do barraco velho.Seu coração parecia querer saltar pela boca,ele não conseguia pensar direito,só queria ir embora dali,queria conseguir fugir.Esse homem,seja quem fosse,era perigoso.Por que ele não notou isso antes?!
 O homem o jogou contra uma cadeira,amarrou suas mãos e seus pés e o deixou preso.
 Ele olhou Casper de cima a baixo parecendo satisfeito e até excitado.Seu olhar era doentio e assustador,o coração do garoto batia cada vez mais forte e ele se sentia cada vez mais assustado.
 "Não posso morrer" pensava Casper "Não posso morrer".
 - Não vai adiantar gritar... - O homem começou a despir suas vestes.Retirou a camisa e sorriu para o olhar de temor de Casper - Não há ninguém que possa lhe ouvir aqui. - O homem terminou de se despir,ficando agora apenas com suas calças velhas e surradas.
 - P-Por favor...N-Não...Não me m-machuque...Por...Por favor...
 - Ah,sim,vou lhe machucar rapaz.Eu sei com é ser abusado,não é nada satisfatório,pelo menos para algumas pessoas se é que me entende sabe...
 - SOCORRO!SOCORRO ELE QUER ME MATAR,ELE QUER ME... - Casper só sentiu um forte golpe do lado direito do rosto.Começou a chorar,chorava como nunca antes havia chorado,chorou como nunca uma criança chorou em toda sua vida.
 - NÃO ME OUVIU MOLEQUE?CALE-SE!
 - POR FAVOR!NÃO!NÃO ME FAÇA MAL,EU LHE IMPLORO!
 - Se você se comportar não lhe farei mal algum! - O homem deu as costas para Casper e foi até um segundo cômodo.
 Casper olhou ao redor e se sentiu cheio de medo,não poderia fazer nada para escapar,iria morrer.
 Então ele sentiu uma coisa afiada machucando sua mão.Era isso,ele poderia usar essa coisa para cortar as cordas que prendiam suas mãos e então poderia sair dali e rever sua mãe e seu pai,seus amigos e brincar com o trenó,e então ele nunca mais sairia sem permissão,nunca mais desobedeceria seus pais.Seria,como sempre foi,um bom garoto.
 Após algum custo ele conseguiu cortar as cordas dos seus braços,soltou suas mãos e então se dirigiu silenciosamente até a porta.Estava ali,logo na sua frente,só precisava conseguir girar a maçaneta e...
 - VOCÊ! - Casper virou-se e viu o homem ali,um olhar furioso e ameaçador. - VOCÊ NÃO VAI FUGIR! - Então Casper abriu a porta e desatou a correr.
 Ele correu,correu como se sua vida dependesse daquilo (e dependia).Ele não sentia suas pernas muito bem,estava exausto,mas não podia parar ou seria molestado e possivelmente morto.
 O homem seguia correndo e estava quase alcançando Casper.
 Casper entrou na floresta e correu o máximo que pôde e,quando achou estar longe o suficiente,se escondeu atrás de uma árvore para tentar respirar o pouco que lhe restava de ar.Então aconteceu,ele sentiu uma dor lancinante em seu estômago mas não pôde gritar,não tinha forças.Olhou para baixo e viu uma faca cravada em sua barriga.Ele foi ao chão,a dor o consumindo cada vez mais.Ele não queria morrer,ele queria ver sua mãe e seu pai,queria pedir desculpas...
 - Achei você... - O homem apareceu de trás da árvore em que Casper estava se escondendo,um sorriso maníaco estampado em sua face. - Eu disse para colaborar,não disse? - Ele retirou a faca do corpo do garoto que ofegava sentindo dores. - Está doendo é?Bom... - Ele deu mais uma facada na barriga de Casper fazendo-o gritar. - Eu lhe avisei... - Outra facada,mais um grito. - Não... - Mais uma facada,mais um grito. - Avisei? - Outra facada,outro grito.
 - P-Por favor...
 - Deveria ter deixado eu fazer o que queria garoto,seria melhor. - O homem olhou a faca como se fosse a coisa mais bela do mundo,passou o dedo por ela e levou-o à boca sentindo o gosto do sangue do garoto. - Agora é tarde Casper,tarde demais...
 - Não me m... - Mas a ultima palavra do garoto ficou perdida para sempre com uma facada forte e certeira em seu coração.Ele ainda estava vivo mas não podia falar,perdeu toda e qualquer força que possuía.Uma morte lenta e trágica.
 Os policiais encontraram o corpo de Casper quase três dias depois.A família do garoto ficou desolada,sem rumo.Sua mãe enlouqueceu,tentou se matar diversas vezes alegando que não havia mais sentido em sua vida e foi parar em uma clinica psiquiátrica e seu pai nunca mais foi o mesmo,morreu sozinho e triste sem nunca esquecer a morte trágica do filho.
 Os policiais alegaram que o garoto morreu de pneumonia para não afetar a pequena cidade e causar pânico.A verdade sobre a morte de Casper nunca foi dita na cidade,e os únicos que sabiam a verdade morreram com ela.O assassino nunca foi pego.

10 comentários:

  1. Olá! O texto é a história do personagem mesmo ou é fanfic?

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    1. Só pode ser mentira ele morreu de pneumonia sim 😢

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  2. O homem nunca foi pego. Quem contou a história? Rsrsrs

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    1. A "estória" foi contada pelo fantasminha camarada, claro 😉

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  3. Fabuloso. Estória muito bem contada.
    E pra quem perguntou como se sabe dessa estória, uma vez que o assassino nunca foi pego, a resposta é simples: Foi o fantasminha camarada que voltou e contou... Kkkkk

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  4. Isso não foi verdade né? Meu deus

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  5. Sou criança e amo o fantasminha camarada e queria resposta do porque ele tinha morrido achei ridículo ele morrer de pneumonia e agora depois de ler prefiro acreditar q morreu de pneumonia mesmo😢😭

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