O telefone toca e ela se apressa a atender.
- Alô?
- Oi.
- Ah,é você,o que você quer agora?
- Nossa,sim eu estou bem e você?
- Ande logo,estou ocupada,tenho que sair hoje a noite - Ela se sentou numa poltrona ao seu lado e revirou os olhos.
- Eu sei que é mentira garota,eu te conheço.
- Você está aqui para provar?Não está me vendo arrumada?
- Parece mais um moletom cinza e uma calça de pijama.E seu cabelo está bem desarrumado.
- Como você...? - Ela olhou ao redor,como se o procurasse pelo cômodo.
- Eu te conheço,já disse isso.
- Não quero falar com você.
- Então desligue. [silêncio] Vamos,estou esperando. - Ela soltou um grande e um tanto desgostoso suspiro.
- Fale.
- Eu sei que você está irritada comigo,mas por favor,não precisa ficar jogando na cara.
- É isso que eu faço.
- E isso me irrita garota,estou dizendo. [silêncio] Por que você é tão difícil?
- Por que a água é molhada?
- Não seja irônica comigo - Ele deu um sorriso - Apesar de eu gostar disso,me deixa... - Ele deu um sorriso malicioso.
- Ah não seja palhaço,seu... - Ela estava corando radicalmente - Viu!É por isso que estou irritada com você.Como alguém pode ser tão infantil?
- Você me conhece garota,e me aceitou assim.
- Se te aceitei,por que estou irritada com você? - Ela deu um sorriso,como que para declarar sua vitória.
- Por que você é infantil. [silêncio] Estou me sentindo ridículo por estar brigando com você.
- Não dá pra chamar isso de briga. - Ela coçou a cabeça,pensativa.
- Só me faça um favor,pegue as tulipas brancas que deixei na porta da sua casa antes de te ligar.
- Podia ter batido na porta... - Agora ela estava mais corada do que estivera a momentos atrás.
- Você teria fechado ela na minha cara e jogado as tulipas fora,é mais fácil te convencer assim. [silêncio] Apenas pegue as tulipas.
- Vamos fazer isso de novo amanhã?Sabe,ser infantil?
- Quem sabe. - Ele ergueu e abaixou os ombros com ar de indiferença - Mesma hora amanhã,mesmas flores amanhã,mesma teimosia amanhã... [silêncio] Vou desligar.
- Ei!
- Fale.
- Poderia voltar até minha porta,pegar as flores que deixou no carpete e tocar a campainha?
- Promete que me deixa entrar?
- Prometo.
- Estou indo então. - Ele sorriu e desligou o telefone,indo em direção à casa dela.
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