Uma Xícara de Café,Por Favor

Pra adocicar minha vida,moço.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Apenas pegue as tulipas brancas.

 O telefone toca e ela se apressa a atender.
 - Alô?
 - Oi.
 - Ah,é você,o que você quer agora?
 - Nossa,sim eu estou bem e você?
 - Ande logo,estou ocupada,tenho que sair hoje a noite - Ela se sentou numa poltrona ao seu lado e revirou os olhos.
 - Eu sei que é mentira garota,eu te conheço.
 - Você está aqui para provar?Não está me vendo arrumada?
 - Parece mais um moletom cinza e uma calça de pijama.E seu cabelo está bem desarrumado.
 - Como você...? - Ela olhou ao redor,como se o procurasse pelo cômodo.
 - Eu te conheço,já disse isso.
 - Não quero falar com você.
 - Então desligue. [silêncio] Vamos,estou esperando. - Ela soltou um grande e um tanto desgostoso suspiro.
 - Fale.
 - Eu sei que você está irritada comigo,mas por favor,não precisa ficar jogando na cara.
 - É isso que eu faço.
 - E isso me irrita garota,estou dizendo. [silêncio] Por que você é tão difícil?
 - Por que a água é molhada?
 - Não seja irônica comigo - Ele deu um sorriso - Apesar de eu gostar disso,me deixa... - Ele deu um sorriso malicioso.
 - Ah não seja palhaço,seu... - Ela estava corando radicalmente - Viu!É por isso que estou irritada com você.Como alguém pode ser tão infantil?
 - Você me conhece garota,e me aceitou assim.
 - Se te aceitei,por que estou irritada com você? - Ela deu um sorriso,como que para declarar sua vitória.
 - Por que você é infantil. [silêncio] Estou me sentindo ridículo por estar brigando com você.
 - Não dá pra chamar isso de briga. - Ela coçou a cabeça,pensativa.
 - Só me faça um favor,pegue as tulipas brancas que deixei na porta da sua casa antes de te ligar.
 - Podia ter batido na porta... - Agora ela estava mais corada do que estivera a momentos atrás.
 - Você teria fechado ela na minha cara e jogado as tulipas fora,é mais fácil te convencer assim. [silêncio] Apenas pegue as tulipas.
 - Vamos fazer isso de novo amanhã?Sabe,ser infantil?
 - Quem sabe. - Ele ergueu e abaixou os ombros com ar de indiferença - Mesma hora amanhã,mesmas flores amanhã,mesma teimosia amanhã... [silêncio] Vou desligar.
 - Ei!
 - Fale.
 - Poderia voltar até minha porta,pegar as flores que deixou no carpete e tocar a campainha?
 - Promete que me deixa entrar?
 - Prometo.
 - Estou indo então. - Ele sorriu e desligou o telefone,indo em direção à casa dela.

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